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Pensamento Fantasma

O gajo e a Austrália

por Alma Penosa, em 03.01.17

Depois de me enfardar no belo do Burguer King, bebo o meu café no espaço próprio no centro comercial É um lugar singelo onde se pode fumar e todos estão agarrados ao telemóvel. Logicamente que não sou o único a pensar nisso, portanto de lés a lés quando la chego, estão as mesas todas ocupadas.

Enquanto aguardava pela minha vez um gajo passou à minha frente. Olhei com ar de poucos amigos e ele automaticamente ofereceu a cadeira ao lado. Por mim tudo bem, sentei-me e agradeci a disponibilidade de partilha. Começou a falar comigo como se me conhecesse há anos. Eu em modos de boa educação fui de ouvidos.

Mas santo Deus...o gajo falava pelos cotovelos. A minha paciência é grande mas esgotou-se rapidamente...e porque "tive quase a ir para a Austrália e ganhar não sei quantos mil ao ano...e gastei quase 9 mil no visto e no fim não fui.." Não compreendo tanta partilha, um estranho a falar da sua vida a outro estranho. Incessante dei comigo a pensar como fazer para sair dali...e fiz o que toda a gente faz. Olhei para o telemóvel, interrompi de repente o discurso moroso..."Bom...tenho de ir..." Acenou que sim... Cumprimentei o gajo sem revelar o meu nome e fui embora sem saber o dele.

Talvez houvesse a necessidade de querer ser ouvido...não queria ser ele apenas mais com o telemóvel na mão onde as pessoas não interagem entre si mas preocupam-se mais com o mundo virtual. E quantos somos assim? Com falta de alguém que nos ouça e não ficar escravos da tecnologia...e da solidão.